Por que algumas partes do corpo formigam?
Você já ouviu falar ou já sentiu isso? É muito comum que isso aconteça, mas por quê? Vamos descobrir juntos mais essa curiosidade sobre nosso corpo.
CORPO HUMANO
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Teco estava no sofá assistindo à televisão havia um bom tempo. Ele estava sentado de pernas cruzadas e nem percebeu que quase não mudava de posição.
Quando o programa acabou, tentou se levantar e
reclamou:
— Ai! Minha perna dormiu!
Poca olhou para ele.
— Dormiu? Sua perna nem tem olhos para fechar!
Teco descruzou as pernas e começou a mexer o
pé bem devagar.
— Agora está formigando! Parece que tem um monte de formiguinhas andando nele.
QI aproximou o focinho para investigar.
“Se tiver formiga aí, espero que não venha para a minha caminha.”
Pouco depois, a sensação desapareceu. Mas a pergunta ficou.
Na escola, Teco contou o que havia acontecido à Professora Mel:
— Prô, por que algumas partes do nosso corpo formigam?
— Que pergunta boa! Vamos descobrir juntos?
A Professora Mel começou perguntando:
— Teodoro, você lembra como estava sentado?
— De pernas cruzadas. Fiquei assim um tempão.
— Então já temos nossa primeira pista.
Nosso corpo possui nervos que funcionam como caminhos de comunicação. Eles levam informações entre diferentes partes do corpo, a medula espinhal e o cérebro.
É graças a esse sistema que conseguimos perceber um toque no pé, sentir calor ou frio e controlar muitos movimentos.
— E o que minhas pernas cruzadas fizeram com esses nervos? — perguntou Teco.
— Quando permanecemos em determinadas posições por algum tempo, podemos pressionar um nervo. Essa pressão também pode comprimir pequenos vasos sanguíneos que levam sangue até ele. Com isso, o funcionamento normal daquele nervo fica temporariamente alterado.
Poca tentou imaginar e perguntou:
— É como apertar um fio e atrapalhar a mensagem que passa por ele?
Professora Mel, logo continuou sua explicação:
— A comparação ajuda, embora nossos nervos sejam muito mais complexos do que fios elétricos.
Enquanto o nervo está comprimido, podemos sentir a região dormente, como aconteceu com a perna de Teco. Quando mudamos de posição e retiramos a pressão, o nervo começa a recuperar seu funcionamento normal.
— E aí aparecem as tais formiguinhas? — perguntou Teco.
— Isso mesmo. Durante essa recuperação, os sinais enviados pelos nervos podem produzir aquela sensação estranha de pequenas picadas, agulhadas ou formigas andando pela pele. Esse tipo de sensação recebe o nome de parestesia.
— Então nenhuma formiga participa dessa história? — brincou Poca.
— Nenhuma! — afirmou a professora.
Esse formigamento temporário é muito comum. Pode acontecer quando ficamos sentados sobre uma perna, cruzamos as pernas por bastante tempo ou até quando dormimos com o braço em uma posição que pressiona algum nervo. Normalmente, basta mudar de posição e esperar alguns minutos para a sensação desaparecer.
Teco movimentou os dedos, lembrando do que havia sentido.
— Mas o formigamento sempre acontece porque uma parte do corpo “dormiu”?
— Não.
O formigamento pode ter muitas causas. Às vezes, um nervo pode estar irritado ou comprimido por outros motivos. Algumas doenças e até certos medicamentos também podem provocar essa sensação.
Por isso, existe uma diferença importante: aquele formigamento que aparece depois de ficarmos em uma posição desconfortável e desaparece rapidamente costuma ser temporário. Mas, se acontecer muitas vezes sem motivo aparente, durar bastante tempo ou vier acompanhado de outros sintomas, é importante contar a um adulto e procurar orientação médica.
Poca sorriu.
— Então a perna do Teco não é dorminhoca!
— Não — respondeu a Professora Mel. — Essa é apenas uma maneira divertida que encontramos para descrever o que sentimos.
Teco riu.
— Ainda bem. Já estava achando que precisava dar “boa noite” para o meu pé!


PARESTESIA
É o nome usado para sensações como formigamento, pequenas picadas, ardência ou dormência que aparecem sem algo tocando a pele naquele momento. A palavra é usada na área da saúde para descrever esse tipo de sensação. Por exemplo, aquela impressão de “agulhinhas” quando uma mão ou um pé começa a voltar ao normal depois de ficar dormente é uma parestesia.


Bater o cotovelo naquele ponto que provoca uma espécie de “choque” também envolve um nervo. Ali passa o nervo ulnar, que fica bastante próximo da superfície. Quando ele recebe uma pancada, podemos sentir uma descarga estranha que percorre o antebraço e chega até alguns dedos da mão.


Nosso corpo costuma dar sinais quando algo diferente ou incomum está acontecendo. Você acha que presta atenção suficiente ao que seu corpo tenta “dizer”?
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