Por que as aranhas não ficam presas em suas próprias teias?

A natureza é incrível e hoje vamos descobrir juntos como as aranhas agem em seu dia-a-dia.

TERRA E NATUREZA

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Poca já estava com a mochila nas costas, pronta para ir à escola, quando encontrou QI parada no quintal. A cachorrinha cheirava o ar perto de uma teia de aranha presa entre duas plantas. Aproximava o focinho, recuava e inclinava a cabeça, desconfiada.

Poca chegou mais perto e viu uma pequena aranha andando tranquilamente pelos fios.
— Ué... a teia não é grudenta? Por que a própria aranha não fica presa nela?

QI deu dois passos para trás. Pelo jeito, ela não pretendia fazer o teste.

— TECO! — gritou Poca, correndo para chamá-lo.

Teco já estava esperando Poca para irem à escola, então ele observou a teia por alguns segundos, mas também não entendeu.

Já na aula de Ciências, Poca levantou a mão antes mesmo de a Professora Mel terminar de organizar os materiais.
— Prô, temos uma pergunta!

Professora Mel sorriu.
— Ótimo Pietra, pode perguntar.

Então, Poca perguntou:
— Se a teia da aranha é grudenta, por que ela mesma não fica presa?

Que pergunta boa! Vamos aprender isso juntos!

Então, a Professora Mel continuou:
— Antes de pensarmos na aranha, precisamos entender a teia. Vocês acham que todos os fios são iguais?

Poca pensou na teia do quintal e respondeu:
— Pareciam iguais...

— Mas não são. As aranhas conseguem produzir diferentes tipos de seda, de acordo com a função que o fio terá. Nas teias em formato de roda, aquelas que costumamos imaginar quando pensamos em uma teia de aranha, há fios que formam a estrutura e outros usados para capturar os insetos.

— Como se a teia tivesse um esqueleto e uma armadilha? — perguntou Teco.

— É uma boa comparação! — disse a professora e prosseguiu — Os fios que saem do centro para as bordas, parecidos com os raios de uma roda de bicicleta, ajudam a sustentar a teia e não são pegajosos. Já a região de captura possui fios com pequenas gotinhas de uma substância adesiva. Quando um inseto voa contra a teia, seu corpo encosta em vários desses pontos pegajosos e fica preso.

Poca arregalou os olhos:
— Então a aranha sabe onde pode pisar?

— Esse é um dos segredos. Ela se movimenta principalmente pelos fios que não são pegajosos. Além disso, suas patas possuem pequenas garras que ajudam a segurar e soltar os fios enquanto ela caminha.

Mas Teco encontrou outro problema:
— E se ela encostar sem querer na parte grudenta?

— A aranha também tem recursos para lidar com isso. Estudos observaram que suas pernas possuem muitos pelos microscópicos e ramificados, ou seja, que se dividem em partes ainda menores. Eles ajudam a diminuir o contato das patas com a cola. A aranha também movimenta as patas cuidadosamente, tocando e soltando os fios de uma maneira que reduz a força da aderência. Pesquisadores encontraram também uma cobertura química nas pernas da aranha que ajuda a diminuir o quanto a cola consegue grudar nelas.

— Então ela nunca fica grudada? — perguntou Poca.

— Não é bem assim. A aranha pode, sim, tocar um fio pegajoso. A diferença é que uma pequena parte de sua pata encosta na cola e o corpo dela possui adaptações que facilitam se soltar. Para um inseto que voa direto contra a teia, a situação é bem diferente: asas, pernas e outras partes do corpo podem atingir vários pontos pegajosos ao mesmo tempo.

Já a seda é produzida no abdômen da aranha e sai por estruturas chamadas fiandeiras. A seda é formada principalmente por proteínas e pode originar fios com características diferentes: alguns servem para sustentar a teia, outros ajudam na captura das presas e a seda também pode ser usada para proteger os ovos.

Teco sorriu:
— Então nem toda parte da teia é grudenta!

— Exatamente. É uma estrutura muito bem organizada. A aranha consegue produzir fios com características diferentes e colocá-los onde serão úteis. Além disso, possui patas adaptadas para se movimentar pela teia.

Poca lembrou de QI aproximando o focinho da teia naquela manhã e disse baixinho:
— Ainda bem que ela desistiu de investigar de perto!

Fiandeira

São estruturas localizadas na parte de trás do abdômen das aranhas por onde sai a seda usada na produção dos fios. Podemos imaginar as fiandeiras como pequenas “saídas” que ajudam a aranha a controlar a seda enquanto constrói sua teia.

Nem toda aranha constrói uma teia para capturar alimento. A aranha-armadeira, por exemplo, caça suas presas sem construir esse tipo de armadilha. Ela costuma se esconder durante o dia e sair para caçar.

Uma teia pode parecer simples quando olhamos rapidamente, mas esconde muitos detalhes. Quantas coisas da natureza você acha que parecem simples só porque ainda não paramos para observá-las com atenção?

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