Por que não tem terremoto no Brasil?

Sempre que pensamos sobre terremotos, pensamos: "Ufa! Ainda bem que não tem no Brasil." Será mesmo? Vamos descobrir juntos esse conhecimento.

TERRA E NATUREZA

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Teco e Poca estavam brincando na sala e ouvindo ao noti-
ciário que passava na TV, quando apareceram imagens de um
terremoto que havia atingido a Venezuela. Prédios balançavam,
objetos caíam das prateleiras e algumas ruas estavam cheias de
destroços.

Poca ficou impressionada:
— Nossa! Ainda bem que não tem terremoto no Brasil.

Teco continuou olhando para a televisão e disse:
— Mas por que não tem? O chão daqui é diferente?

QI olhou para o chão, depois para a própria caminha e pensou: “Se esse chão resolver balançar, eu fico com a caminha.”

Poca não fazia ideia da resposta e Teco também não.

No dia seguinte, durante a aula de Geografia, os dois contaram à Professora Mel o que tinham visto.

— Prô, por que em alguns países acontecem terremotos e no Brasil não? — perguntou Poca.

A Professora Mel olhou para a turma e perguntou para eles:
— Será que não acontecem mesmo?

Teco e Poca se entreolharam, tensos.

Que pergunta boa! Vamos descobrir isso juntos?
E ela prosseguiu com sua explicação:
— Existem terremotos no Brasil, sim. O Centro de Sismologia da USP registra tremores em nosso território, e muitos são tão pequenos que as pessoas nem percebem.

— Então por que não vemos aquelas cenas do noticiário de ontem com frequência? — perguntou Teco.

— Para entender, precisamos descobrir o que existe debaixo dos nossos pés.
A parte mais externa e rígida da Terra não forma uma peça única. Ela está dividida em enormes blocos chamados placas tectônicas. Imagine um quebra-cabeça gigantesco cobrindo o planeta. Essas placas se movimentam muito lentamente, geralmente apenas alguns centímetros por ano.

— Se elas andam tão devagar, como conseguem provocar um terremoto? — perguntou Poca.

Porque, em algumas regiões, duas placas empurram uma contra a outra, afastam-se ou deslizam lado a lado. As rochas podem ficar presas por algum tempo enquanto a pressão vai se acumulando. Quando ocorre uma ruptura e elas se movimentam de repente, parte dessa energia é liberada em forma de ondas que fazem o solo tremer.

Teco pensou nas imagens do noticiário:
— E isso acontece mais onde as placas se encontram?

— Exatamente! — respondeu a professora — A maior parte dos terremotos ocorre próximo às bordas das placas tectônicas. O Chile, por exemplo, fica próximo ao encontro da Placa de Nazca com a Placa Sul-Americana. Nessa região, uma placa mergulha por baixo da outra, acumulando enormes tensões. Por isso podem ocorrer terremotos muito fortes.

Poca olhou para o mapa.
— Mas nós também estamos na Placa Sul-Americana!

— Sim. Só que o Brasil está no interior dessa placa, distante de suas principais bordas. Por isso, estamos em uma região muito mais estável e terremotos fortes são bem mais raros por aqui.

— Então aqueles tremores que acontecem no Brasil vêm de onde? — perguntou Teco.

— Mesmo longe das bordas, uma placa tectônica não é completamente livre de tensões. Existem antigas falhas e regiões mais frágeis nas rochas. As forças que atuam sobre a Placa Sul-Americana podem acumular pressão nessas áreas e provocar pequenos movimentos. São os chamados terremotos intraplaca: aqueles que acontecem no interior de uma placa tectônica.
E eles não são apenas uma possibilidade. O Brasil registra tremores com frequência. Em junho de 2026, por exemplo, a Rede Sismográfica Brasileira registrou uma sequência de três terremotos na região de Tucuruí, no Pará.

Poca arregalou os olhos:
— Então a pergunta estava errada desde o começo!

— Um pouquinho — respondeu a Professora Mel. — O mais correto seria perguntar: por que os grandes terremotos são muito menos comuns no Brasil?

Agora eles já sabiam responder.

Não é porque o chão brasileiro seja imóvel. É principalmente porque estamos longe das bordas da Placa Sul-Americana, onde se concentra grande parte dos terremotos mais fortes.


Os terremotos são registrados por instrumentos muito sensíveis, os sismógrafos. Por isso, um tremor pode ser detectado mesmo quando ninguém percebe que o chão se mexeu. No Brasil, a Rede Sismográfica Brasileira possui estações que monitoram esses movimentos e ajudam os cientistas a estudar a atividade sísmica do país.

Já o terremoto mais forte já registrado com epicentro no Brasil aconteceu em 1955, no estado de Mato Grosso. Ele atingiu magnitude 6,2. Seu epicentro — o ponto da superfície localizado acima do lugar onde começa o terremoto — ficava em uma região pouco habitada, cerca de 370 quilômetros ao norte de Cuiabá. Por isso, apesar de ter sido um terremoto forte para os padrões brasileiros, não provocou uma grande tragédia.

Placas Tectonicas

São enormes blocos rígidos que formam a parte mais externa da Terra. Eles se movimentam muito lentamente e podem se aproximar, se afastar ou deslizar uns em relação aos outros. É como um enorme quebra-cabeça em movimento, no qual cada peça pode ter o tamanho de continentes e oceanos.

Teco e Poca começaram acreditando que no Brasil não existiam terremotos e descobriram que a história era um pouco diferente. O que você faz quando descobre que uma coisa que sempre acreditou não era exatamente como imaginava?

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